Confesso que não acredito muito nesta coisa de coitadinho dele/a. Tenho tanta pena! E por dentro gargalheio, respiro fundo, que bom que comigo tudo está como dantes.
Diz o provérbio, e não há fumo sem fogo, "Pena têm as galinhas". De que servem os lamentos se a lágrima se limpa, o rosto se seca e o sorriso se repõe, enquanto o diabo esfrega um olho?
Pudor não tenho, receio não existe, vergonha desconheço de confessar: Tornei-me cínica. Vinte e dois anos de sala, quadro e giz na mão. Amigos, poucos, mas amigos, saudades, muitas, prazeres vividos, alguns, desilusões, aos montes. E é aqui que o tecto vem abaixo e a cabeça dói.
O ser humano, idade da consciência e apto para absorver sapiência, para aprender tem que querer.
Subsídios, apoios, reuniões, cartas, telefonemas, racados, diálogos, actas, relatórios. Tudo na mesma. Que se aguentem. Ninguém aprende se não sente na pele, e no bolso, o desperdício do tempo e voluntarismo alheio, o esforço caído em saco roto e a preocupação escarnecida.
O português não aprende. Tem memória curta. Sua, que dos outros recorda, distorce, deturpa, usurpa, torce e retorce.
Continuo esforçada, preocupada, voluntariosa, dedicada. Mas cínica.Não tenho mais paciência para olhar para o lado e falar em surdina. Agora falo alto e digo: cuidem dos vossos que eu cuido dos meus.
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